[HQ Review] Black Hammer 2: O Evento
Acompanho o Universo HQ e o Planeta Gibi para me manter informado sobre novidades no mundo das HQs.
Quando fiquei sabendo que Black Hammer de Jeff Lemire chegaria a seu volume dois ainda esse ano, a exemplo do que havia feito sobre o box do Sherlock Holmes da Pixel, reservei a minha edição em pré-venda e aguardei.
Eleita a Melhor Série Original de 2017 pelo Eisner Awards, a HQ chegou ontem na minha casa, juntamente da edição 20 de Vinland Saga e a segunda edição de A Floresta, que pretendo compartilhar também as impressões tão logo eu termine a leitura.
Já terminei a leitura, vamos então às minhas impressões.
A história (poucos spoilers)
Não pretendo fazer uma descrição detalhada da HQ, até porque por enquanto é uma das HQs que tem valido a leitura esse ano, e não quero estragar a curiosidade de ninguém na compra e leitura.
Eu poderia resumir a história das primeiras edições como a história de heróis que de alguma forma tinham seu passado entrelaçado, e que dado a uma singularidade foram para em uma fazenda em uma cidade chamada Rockwood.
Eu não conhecia a HQ quando comprei a primeira edição, e o que achei mais interessante foi justamente a questão dos arquétipos de super-heróis existentes na narrativa. Não há nada nas características dos heróis que não pareça como que se já não tivéssemos visto em outras HQs. Heróis solitários presos em formas que não se adequam, heróis de outros planetas que se rebelaram por algum motivo com seu planeta natal, heróis incompreendidos no que se refere à capacidade de enxergar o mundo de uma forma que outros não conseguem ver, heróis que precisam se aposentar e não sabem lidar com isso, enfim, vários fatores que dão um ar de nostalgia, mas que ao mesmo tempo não te fazem querer sair da trama ou não entendê-la.
Foi muito engraçado esse plot, pois, essa semana vi pela segunda vez o filme Corpo Fechado (Unbreakable) com o Bruce Willis e o Samuel L. Jackson.
Elijah Price, o personagem de Samuel L. Jackson, já nos dá vários arquétipos do que se esperar de um super-herói, sua saga, desafios, inimigos… foi como se eu estivesse lendo uma HQ que conectasse tudo isso, e ainda mais agora que teremos mais um filme desse universo, Mr. Glass, que ainda vai conectar o universo de Fragmentado (caso você ainda não saiba).
Voltando a Black Hammer, segue um resumo dos principais personagens:
Abraham Slam
O personagem que mistura elementos de maturidade e o peso da idade à equipe. Me lembrou muito o The Dark Knight Returns de Frank Miller, em que a idade do personagem influencia a trama, por perceber que ele já não consegue mais realizar tudo o que conseguia antes. O peso da experiência traz um fardo e uma complexidade ao heróis, o que influencia sua perspectiva.
Eu poderia escolher qualquer imagem do The Dark Knight Returns, mas fica ai a minha homenagem ao Superman que também está apanhando em outra série muito boa que eu estou lendo, Injustice: Deuses entre nós.
Barbalien
Barbalien é um herói que em muito me lembra o Caçador de Marte J’onn J’onzz, um herói de outro planeta que veio para a terra, e é capaz de alterar sua aparência. Elementos como distância de sua terra natal, bem como o sentimento de não pertencer a um dado lugar são bastante explorados nesse herói.
Black Hammer
Joe Weber é a identidade secreta por trás do herói que dá nome à série. Sua história em muito lembra a de Thor, o deus do trovão.
Coronel Weird
O coronel é um dos personagens que mais me chamou a atenção. É um personagem que explora questões relacionadas ao tempo e suas conexões. É bem interessante como seus diálogos são confusos, dado o fato do mesmo conseguir transitar entre aspectos da realidade que outros personagens não conseguem, isso o isola do restante do grupo, o deixando como uma espécie de louco.
Madame Libélula
Após o coronel Weird e a Menina Ouro, essa é a personagem que mais me chama a atenção, é o super-herói que explora questões referentes ao sobrenatural, uma personagem complexa que muitas das vezes se isola também. Me lembra muito a trama do monstro do pântano.
Menina de Ouro
Outro arquétipo de herói bem interessante, algo como um Shazam invertido. A personagem também sente o peso da responsabilidade e maturidade e sua vida. Me chama a atenção nessa personagem o ser incompreendida, de ter o peso da idade sendo sentido de uma forma diferente que o dos demais personagens, como Barnalien, é como se não pertencesse àquele contexto.
Talky-Walky
Um robo pertencente a um planeta de máquinas, que também não se encaixa. É o braço direito do capitão Weird.
E como tudo se encaixa?
Acredito que pode até parecer estranho como a série tenha feito algum sucesso, já que pela forma com que eu falei pode parecer que é um mix de vários heróis semelhantes a outros heróis.
Acredito que a grande sacada da série se dê em como utilizando-se desses elementos conseguir criar uma trama cativante e interessante. É como se nada ali fosse novo, no entanto não é como se fosse algo tão igual que pareça previsível, fazendo com que se perca o interesse na leitura.
Os elementos de nostalgia te prendem, e a leitura se torna fluida.
Onde comprar?
Comprei a HQ pela Amazon ainda em pré-venda, eu iria fazer outras compras e o frete grátis a partir de R$ 100,00 pesou para a escolha.
Caso você não queira realizar uma compra de até R$ 100,00, recomendo as compras na Saraiva. É possível enviar sua compra para algumas lojas ao redor do país, você então busca diretamente na loja, e não precisa pagar frete também.
Por enquanto estou gostando muito da trama! Os meus parabéns à editora Intrínseca! Só não vá me fazer como algumas editoras e abandonar as séries pela metade…